Como um engenheiro, sempre gostei de usar o conceito de "máquina" para   estruturação da minha antiga empresa. Era natural pra mim.

Quando fui entrar no mundo de marketing e vendas e descobri o conceito de "the sales and marketing machine". Eu pensei:

"ah, máquinas? Sou engenheiro, entendo isso, estou em casa!".

Aplicar esse modelo mental para gestão de empresas é muito sedutor. Afinal, máquinas podem ser previsíveis.

Mas sabe o que uma máquina não tem? Sentimentos.

Mas pessoas tem sentimentos.

Ao "abusar" do uso desse modelo mental, uma pessoa gestora talvez reduza aquilo que não deseja de um ser humano, como a falta de previsibilidade, a potencial instabilidade. Mas também talvez perca aquilo que se quer de um ser humano. O improviso, a inovação, a vontade, a motivação.

Está na hora de expandirmos as fontes de onde tiramos conhecimento para gestão de empresas. Até então, pegamos bastante coisa do mundo das exatas, da engenharia etc.

Talvez além de pegar conceitos de engenharia e pensar uma empresa como uma máquina, podemos pegar conceitos de biologia, e pensar uma empresa como um organismo. Algo com vida própria.

Afinal, não é por exemplo o corpo humano uma das "máquinas" mais avançadas que já se viu?

Talvez uma máquina tão avançada assim não seja uma máquina, seja outra coisa. Seja um organismo.


Esses pensamentos foram insights que tive ao longo da leitura do livro "Reinventando as organizações" do Frederic Laloux